Dicas de Higiene Vocal
Adote algumas medidas simples para prevenir o aparecimento de alterações ou doenças nas pregas vocais e nos ouvidos.
E para saber quais cuidados devem ser adotados, é necessário a auto-avaliação, no caso do adulto, e a observação da criança pelos seus responsáveis.
Lembrando, que nos casos em que os sintomas persistirem, será necessário procurar ajuda profissional.
Cuidados com a produção da voz
Para que possamos falar, nossas pregas vocais se aproximam e reduzem a entrada da laringe. Fica apenas uma fresta para o ar passar e, quando isso acontece, elas vibram, produzindo a voz. Mas quando usamos este mecanismo de forma errada e abusiva, nossas pregas vocais se chocam o que acaba provocando, num primeiro momento, um espessamento do tecido e, com o tempo, pode se formar um nódulo, por isso:
- Fale sem gritar e sem esforço e nunca concorra com muito barulho.
- Evite falar durante atividades físicas que exijam esforço.
- Pratique esportes e atividades físicas para melhorar sua capacidade aeróbica e controlar seu estresse.
- Mantenha a boa postura: evite o mau posicionamento do pescoço e evite sentar–se sobre o sacro, além dos problemas na coluna, o prejuízo na respiração também é inevitável.
- Crie o hábito de espreguiçar-se, suspirar e bocejar.
- Cuidado ao tossir e pigarrear: estes atos machucam as pregas vocais.
- Beba líquidos: água na temperatura ambiente é o ideal, faz as pregas vocais funcionarem melhor e as hidrata.
- Não exagere em líquidos gelados e tome cuidado com os choques térmicos.
- Evite ambientes com ar condicionado.
- Não abuse das suas pregas vocais, elas entram em fadiga como qualquer outro músculo. Durante seu dia reserve sempre alguns momentos para descansá-la e procure dormir bem para promover a sua recuperação.
- Não fale em excesso durante os episódios de rouquidão após uso abusivo.
- Mantenha sua respiração livre: não use roupas apertadas na região do pescoço e da barriga porque dificultam a respiração e interferem na vibração do som. Na inspiração correta deve acontecer uma expansão no abdômen e na caixa torácica.
- Procure comer de tudo, principalmente frutas e legumes. Mastigar bem ajuda na digestão e é muito relaxante para as pregas vocais. Alimentos muito ácidos e condimentados, ao contrário, irritam sua mucosa. Café em excesso é outro grande inimigo.
- Cuidado com a poluição: irritam nossas vias respiratórias. Quando o ar estiver muito seco, mantenha uma vasilha com água no quarto, ou uma toalha molhada, porque melhora a umidade do ar.
- Evite falar quando estiver muito gripado, com crises alérgicas.Tenha cuidado com o uso abusivo de pastilhas, pode mascarar o quadro.
- Não fume e nem fique em locais com pessoas fumantes.
- Observe quais os perfumes e produtos que agridem seu trato respiratório e evite seu uso.
- Não consuma bebidas alcoólicas em excesso, resseca as vias aéreas.
- Prefira dormir de lado usando um travesseiro que não permita que sua cabeça fique elevada ou caída demais. Não coloque seu braço ou sua mão como apoio embaixo do rosto ou do travesseiro. Qualquer um destes hábitos permite que você pressione e crie tensão na sua face e no seu pescoço.
- Faça gargarejos diariamente, pois ajudam a manter o tônus muscular do palato mole (campainha).
Cuidados com os ouvidos
· Evite lugares barulhentos. O máximo que o ouvido suporta sem traumas é o som ambiente. Quem é obrigado a conviver diariamente com ruídos precisa usar protetores de ouvido.
- Limpe os ouvidos somente com um pano: não se deve enfiar nada dentro do ouvido para fazer limpeza. Passe o dedo enrolado no pano por fora e com delicadeza. Caso haja muita cera, só o otorrinolaringologista está habilitado para retirá-la (obs.: em crianças, é comum o aumento do volume da voz ser um sinal de problemas no ouvido).
- Evite a entrada de água na hora do banho diário ou de um mergulho no mar ou na piscina.
- Gripes mal curadas ou estados crônicos de rinite com secreção podem atingir o ouvido médio produzindo um quadro de otite média e rapidamente evoluir para problemas mais sérios. Além do mais, é essencial que a inspiração seja nasal, pois é a única forma de aquecer, umidificar e filtrar o ar inalado.
- Problemas nos ouvidos (dores, estalidos, zumbidos), cefaléias, dores na face ou na articulação temporomandibular (ATM) podem ter como causa: tensões nos músculos do sistema mastigatório (bruxismo), na relação incorreta dos dentes superiores com os inferiores, próteses mal adaptadas ou desgastadas, falta de um ou vários dentes, ou ainda, problemas posturais. Portanto, novamente é indicado controlar o estresse e cuidar bem do corpo, inclusive dos dentes.
Desenvolvimento da Linguagem
O crescimento e desenvolvimento das crianças segue padrões gerais, nos quais os progressos se apresentam num movimento contínuo.O ritmo e a qualidade do desenvolvimento podem variar, porque as crianças diferem entre si, na medida em que sua singularidade depende da hereditariedade e do ambiente onde vivem. Muitos desses caracteres são inatos e ocorrem sem interferência da criança, ou do meio, como o nascer dos dentes, outros dependem dos estímulos que a criança recebe do meio. Em cada etapa, a criança tem necessidades básicas, que precisam ser conhecidas pelos pais, para que tenham melhores condições para compreendê-la e ajudá-la .
Segundo pesquisa realizada por Heloisa Marinho com crianças brasileiras, o desenvolvimento da linguagem segue as seguintes etapas:
- De início, a linguagem é manifestação puramente emocional : o choro exprime mal-estar; o balbucio, satisfação.
- Dos três meses em diante, a criança repete sílabas, como que exercitando os sons necessários à futura linguagem significativa.
- A sucção e a deglutição predispõem o aparecimento das consoantes labiais e guturais; aparecem primeiro o m (ma, me, mi mo,mu), o n (na, ne, ni no, nu) e o g (ga, gue, gui,go,gu). Seguem-se o p (pa, pe, pi, po, pu) e b (ba,be bi,bo,bu). Depois da dentição aparecem d (da, de, di, do, du) e t (ta, te, ti, to, tu) . Logo a seguir o f (fa, fe, fi, fo, fu) e v (va, ve, vi, vo, vu). Esses fonemas são próprios do balbucio. Virão depois os fonemas correspondentes às letras s, z, ch-x, j, r forte (rato,rei), o lh e nh e o s no final da sílaba (pasta, costas). O l (la, lê, li, lo, lu), o r no final da sílaba (porta, carta) e o r fraco (barata, peru) só aparecem mais tarde, conseqüentemente os grupos consonantais com r e l (exemplos: prato r globo) são os últimos a aparecer.
- A linguagem com significação, ou própria da intercomunicação, aparece por influência do meio familiar. Os adultos respondem àqueles sons dando significado, fazendo uma interpretação: a criança produz “dá-dá” e recebe objetos, ou ainda, “pá-pá” e aparece o pai. Ela se apercebe e passa a usar tais sons intencionalmente.
- A compreensão dos primeiros vocábulos não é específica. Por volta dos 12 meses, a criança chama de “au-au” todo animal de quatro patas. Uma mesma palavra com entonações diferentes ganha significados diferentes, como palavras-frases: “papá”pode ser interpretado como papai, como comida ou como sapato.
- A compreensão antecede a possibilidade da fala, pois o vocabulário compreendido pela criança é muito maior do que sua fala.
- Por volta do período entre 18 meses - 24 meses iniciam-se frases curtas ainda incompletas. O principio da satisfação imediata domina todo o período entre 12 a 24 meses e explica estas inversões curiosas da gramática infantil: : “Titia embora, não.” .
- A sentença simples e completa com todos os seu elementos aparecerá entre 24 meses e 36 meses: “Déa vai pra casa da vovó.” Época que a criança ainda não usa elementos de ligação: “Pegou, quebrou a ponta.”
- Dos quatro anos em diante aparecem em percentagem significativas orações complexas: “Agora vou botar um chapéu bonito mesmo, para ele ir passear com a mãe dele.”
- Na sua origem, o pensamento prende-se à ação e, por isso mesmo ao concreto, então aparecem primeiro os substantivos, depois verbos e advérbios e por último adjetivos.
- Quanto aos verbos, o modo imperativo aparece primeiro. Dos 12 aos 24 meses o presente do indicativo tem, às vezes, a intenção imperativa: “Déa quer aguinha.”(1ano e 9 meses) e equivale a uma ordem. Quanto ao tempo verbal, sobressai o presente. O futuro só aparece como futuro imediato: “vou fazer”, “vou passear”. O termo “amanhã” só aparece dos 4 anos em diante.
- Dada a maior freqüência dos verbos regulares, a criança flexiona os irregulares como se o não fossem. Ao terminar o desenho de uma casa, diz toda contente: “fazia!” (2 anos e 8 meses).
- Nos verbos, é usual a 3ª pessoa do singular no lugar da 1ª como em “Déa quer passear.”, sobretudo pelo fato recorrente da mãe dirigir-se ao filho, chamando-o pelo nome próprio. Deste modo, durante o segundo ano, o pronome “eu” não aparece na fala da criança.
- Aos 2 anos aparece “meu”, enquanto “seu” somente surge por volta de 4 anos.
- De 1 a 3 anos, raramente a criança utiliza o plural. O aumento das flexões de número, dos 4 anos em diante, mostra que se vai firmando a noção de quantidade.
- A criança mantém desde o início uma atitude ativa em relação à aquisição de linguagem, e isto pode ser observado, quando ela apreende uma nova regra e passa a usá-la em todas as situações, como em “Assss saladassss....”, fragmento dito por menina de 3 anos falando sobre as verduras em cima da mesa.
- Os advérbios de negação ultrapassam em freqüência os de afirmação. A intenção voluntariosa do “não” e do “sim”, não tem como no adulto, caráter informativo de existência e de não existência. Indicam apenas “o querer” e “o não querer”. O “não” prevalece até os 3 anos e decresce a seguir.
- Os advérbios de lugar (cá, lá, aqui e ali) aparecem primeiro que os de tempo (ontem, hoje, amanhã) e modo. De 1 a 3 anos, “cá” e “lá” ocorrem em situação de querer a aproximação ou o afastamento de pessoas e objetos.
- A linguagem vai refletir cada estágio do desenvolvimento da inteligência: por isto, uma criança de 5 anos de idade, entende o sentido literal das palavras, tendo dificuldades de circular por outros sentidos poéticos e de humor.
Conclusões e Orientações:
- O valor significativo da linguagem dependerá do grau de desenvolvimento geral da criança e das influências do ambiente familiar (estimulação).
- Usamos o aparato digestivo e respiratório para fala, portanto, é importante seguir as orientações do pediatra quanto à alimentação adequada para cada idade: desta forma, a criança receberá estímulos adequados para o melhor desenvolvimento dos seus órgãos fonoarticulatórios , como também da inteligibilidade de sua fala .
- Respirar corretamente pelo nariz é fundamental para um adequado desenvolvimento dos órgãos fonoarticulatórios., pois só o nariz está preparado para filtrar aquecer e umidificar o ar. Além disso, uma criança que respira pelo nariz, terá um sono mais tranqüilo, melhor desempenho motor e escolar.
- Uma estimulação adequada à idade cronológica com diversidade de situações terá repercussão no desenvolvimento da linguagem como em brincadeiras infantis, conversas, contatos com outras crianças, músicas, livros, com interação com pais e outros familiares adultos, educadores, colegas, vizinhos, etc..
- Da mesma forma, solicitar que a criança tenha comportamentos condizentes com sua idade cronológica nas várias áreas (motora, cognitiva, cuidados próprios e social) refletirá na sua linguagem oral.
- Quando a criança “falar errado” é sempre importante a devolução do padrão correto, sem chamar sua atenção para o erro, mantendo o tom de conversa. Sempre a melhor opção é não enfatizar os erros, mas os acertos. No caso da gagueira, esta atitude é importantíssima. A criança tem que sentir que o adulto está interessado no conteúdo de sua fala. Em outras palavras, a qualidade de atenção é um fator essencial e não a quantidade. Para que ela se desenvolva, precisará arriscar, exercitando-se em conteúdos que ela ainda não tem domínio, portanto erros serão inevitáveis. Os adultos serão os seus modelos e seus referenciais.
- Chupetas, mamadeiras e outros hábitos interferem no bom posicionamento lingual, no tônus muscular orofacial, na oclusão dental e na fala. Os bicos de chupeta e mamadeira devem ser do tipo ortodôntico, sendo que a freqüência deve ser mínima, e a idade da sua retirada deverá ocorrer antes dos 24 meses. Porém, como estes hábitos estão relacionados aos aspectos emocionais da criança, é preciso agir respeitosamente.
- Para familiares e educadores, estimular, permitir e solicitar que a criança coloque suas novas habilidades em uso, são demonstrações de confiança no seu potencial de crescimento, sendo absolutamente estruturantes para um desenvolvimento de linguagem compatível com as demandas do mundo atual.
Mariangela de Carvalho
Fonoaudióloga